Voto de pesar pela morte do antigo presidente Jorge Sampaio

Na reunião de Câmara desta sexta-feira, dia 10 de setembro, foi aprovado o voto de pesar pelo falecimento, aos 81 anos, de Jorge Fernando Branco de Sampaio , 18º presidente da República Portuguesa (de 1996 a 2006).

Mário Pereira, presidente do Executivo e Sónia Sanfona, vereadora da oposição evidenciaram o seu papel na luta contra o regime ditatorial do Estado Novo, o seu empenho na consolidação da democracia e a sua luta pelas causas humanitárias.

Das lutas estudantis à sua intervenção para a libertação de Timor Lorosae, o advogado que defendeu presos políticos, Jorge Sampaio foi presidente da Câmara de Lisboa entre 1989 e 1995. Derrotando Cavaco Silva na luta por Belém, ” o presidente das emoções” convive com 4 primeiros-ministros ao longo de dois mandatos: António Guterres, José Manuel Durão Barroso, Pedro Santana Lopes e José Sócrates.

Foi eleito Secretário- Geral do Partido Socialista em 1989. De 1979 a 1984, é membro da Comissão Europeia dos Direitos do Homem no Conselho da Europa e reeleito deputado à Assembleia da República, em 1980, 1985, 1987 e 1991.

Da sua intervenção fica a memória de Lisboa, Capital Europeia da Cultura, a Expo’98, a transferência de Macau, a questão de Timor ou o “bate pé” que evitou que tropas portuguesas participassem na invasão do Iraque. Mas a sua liderança tranquila teve momentos de tensão política. A saída de Durão Barroso, o governo de Santana Lopes e o início de uma crise política; ou ainda o caso da queda da “Ponte de Entre-os-Rios”.

Depois da presidência, Jorge Sampaio foi Conselheiro de Estado. Internacionalmente foi nomeado representante máximo da ONU na Luta contra a Tuberculose e na Aliança das Civilizações.

Fundou em 2013 a Plataforma Global para os Estudantes Sírios uma resposta para milhares de jovens que, devido à guerra na Síria, ficaram sem acesso à educação. 

O homem que afirmou que “não há maiorias presidenciais; sou o presidente de todos os portugueses; não há portugueses dispensáveis” ou ainda que “a crise actual é também uma crise de valores, de cultura e de civilização”, faleceu esta sexta-feira ao princípio da manhã, depois de ter sido internado no Hospital de Santa Cruz a 27 de agosto devido a problemas respiratórios.