“União e Fazendense devem tentar que as gentes da terra voltem”

Marco Neves, hoje jogador do histórico Alverca, não esquece as origens e onde começou. Fazendense e U. Almeirim foram os clubes por onde passou na formação e reflete sobre as influências e rumo dos clubes do concelho. Claro, também não podíamos deixar de falar do próprio que continua a fazer golos…

Marco Neves, primeiro que tudo, o que tem feito?
Aproveitar este período de final de época para estar ao máximo com os meus filhos (férias inclusive), estar com a família, que ao longo do ano somos privados de estar juntos mais tempo, com amigos de longa data e também recentes, e desfrutar de alguns convívios que fazemos, pois são momentos que ficarão para sempre na nossa memória, para toda a vida.

Porque se afastou do futebol do concelho e do distrito?
No final da época 07/08 surgiu um convite por parte do Casa Pia, na altura na 2ª divisão nacional e como, também, a nível profissional comecei a trabalhar na zona de Lisboa e na margem sul, aceitei o convite, pois tratava-se de um projeto ambicioso, e jogar a nível nacional e ainda por cima na zona de Lisboa era muito aliciante! Já na época 03/04 tinha tido um convite do GS Loures, então na altura na 3ª divisão, mas não pude aceitar por motivos profissionais e também pessoais. Não houve nenhum outro motivo mas, agora, e sabendo o que sei hoje, claramente que tinha saído do distrito mais cedo, convicto de que podia ter tido uma carreira profissional no futebol.

Como lhe tem corrido a vida desportiva em Alverca?
A minha vida desportiva e pessoal em Alverca não podia ter corrido melhor, conseguimos formar um grupo muito bom, coeso, jovem, amigo e ambicioso, o que, certamente, na próxima época nos dará a certeza de que iremos cumprir com os nossos objetivos e do Clube, visto que nesta época que passou éramos 14 jogadores novos no plantel.

O ano passado correu muito bem?
A nível individual correu muito bem, sem lesões (o que felizmente não me tem acontecido), consegui ser o melhor marcador do campeonato e ajudar a equipa nas suas pretensões.

A renovação já está acertada?
No início de fevereiro fui abordado pelo Presidente do FC Alverca a dar conta do agrado da direção relativamente a mim, transmitindo-me que gostaria que ficasse para a próxima época; foi muito fácil o acordo, pois o sentimento era recíproco, e receberam-me muito bem.

Tem saudades no nosso futebol?
Para ser sincero, não muito, já na altura em que os clubes do distrito também jogavam a 3ª divisão série D (zona centro), o futebol praticado era mais físico e de luta e não tão bem jogado, mas durante alguns anos houve boas equipas do nosso distrito, com bons estádios com muita gente a ver os jogos o que, neste momento, já não acontece, infelizmente, e eu disso tenho algumas saudades.

Qual é o seu clube? O U. Almeirim ou o Fazendense?
Iniciei o meu percurso aos nove anos na AD Fazendense, que respeito muito, mas a partir dos 12 anos tive a oportunidade de ir para o UFC Almeirim até aos 21 anos; aprendi muito rápido a sentir o clube, tive sorte com as pessoas que nos ensinaram e passaram essa mística e paixão do clube. Sem dúvida alguma, o clube do meu coração e pelo qual tenho um enorme carinho e orgulho por o ter representado e ter lá feito toda a minha formação.
Que boas recordações tem dos dois clubes e das passagens por lá?
Da AD Fazendense, foi ter sido Campeão em infantis, logo na 2ª época, e irmos a França disputar um torneio prestigiado, e em sénior, jogar muitos jogos na 3ª divisão, em casa, com o estádio quase sempre cheio e ver o envolvimento dos adeptos com a equipa. No UFC Almeirim foram muitos, mesmo muitos: jogar no nacional na formação, ter sido Campeão Juvenil, Júnior e Sénior. Um muito marcante foi saber que, quando me estreei pelos seniores, com 17 anos, era o 2º mais novo a sê-lo; foram momentos que nunca mais esquecerei. Das pessoas que nos ajudaram a crescer como homens, e das boas e verdadeiras amizades que ficaram desses tempos.

Continua a acompanhar o desempenho dos dois?
Mais pelos jornais, vou sabendo dos resultados semanais, mas a época passada tive a oportunidade de ver o jogo UFCA – AD Fazendense, salvo erro, na 1ª jornada.

Gostaria de voltar?
Não será fácil, pois a minha vida pessoal e profissional obriga-me a estar muito tempo na zona de Lisboa, como disse há pouco. Estou muito identificado com o novo projeto do FC Alverca que tem por objetivo recolocar o clube novamente nas ligas profissionais, e como também já não tenho 20 anos poderá ser difícil que se concretize, mas, a voltar, apenas seria para o UFC Almeirim, caso houvesse interesse do clube.
Na sua geração era dos mais promissores…
Eu…não sei, talvez, mas havia muitos bons jogadores de 80/81/82, mas, falando por mim, neste momento sei que se me tivesse “aventurado” mais, um empurrão de alguém importante e alguma sorte, poderia ter sido profissional de futebol. Não o consegui, mas ficarei à mesma sempre orgulhoso do meu percurso.

Quem foi o treinador que mais o marcou?
Difícil pergunta, foram muitos ao longo destes anos e todos eles foram marcantes de alguma maneira, mas Manuel Vieira e Fernando José na formação, e em sénior Jorge Peralta, Frederico Rasteiro, Luís Sobrinho, Sérgio Ricardo, Paulo Torres e Tiago Zorro a quem eu prevejo um futuro muito risonho se a sua oportunidade surgir.

Acha que o lugar do U. Almeirim e Fazendense é na primeira distrital?
Ambos os clubes têm plenas condições a nível de infraestruturas para que o seu lugar fosse numa competição nacional, mas neste momento qualquer um deles, a meu ver, deveria tentar que as gentes da terra voltassem a sentir o seu clube, a ir aos jogos, a apoiar a equipa, ou seja, haver uma ligação forte, pois, só assim, com esse apoio se conseguem ultrapassar algumas barreiras sempre difíceis, porque, como se sabe, num nacional os clubes têm mais despesas, mas, por outro lado, também a cidade tem muito a ganhar com essa visibilidade e eu acho que isso é muito bom para todas as pessoas. Penso que isso aliado a uma direção forte, unida, jovem, com ideias que façam com que os atletas gostem e sintam orgulho em representar o clube, tudo isso fará crescer o clube e ser possível tê-los novamente nos nacionais.

Na sua altura reconhece que se apostou demasiado?!
Penso que não, apenas acho que a falta de organização, na altura, do crescimento constante que era preciso ter, a todos os níveis, fez com que o resultado final fosse esse. Não deveria ter acontecido, mas agora há que saber alterar e dar novo rumo no sentido de melhorar dia a dia. A terminar, eu gostaria de agradecer-te e dar-te os meus parabéns pelo trabalho que tens vindo a desenvolver, tanto a nível nacional como no distrito de Santarém, que tem sido muito bom. É a minha opinião.