Uma visita à Casa-Museu dos Patudos

Em muito deve a vila de Alpiarça a José Maria de Mascarenhas Relvas de Campos. Com 240 hectares de terreno doados em prol da população alpiarcense, o seu testamento fez dele o maior benemé- rito da história do município sendo a Quinta dos Patudos um dos seus legados mais preciosos.

A redação de O Alpiarcense deslocou-se à Casa dos Patudos – Museu de Alpiarça para uma visita guiada através da narrativa do conservador do Museu, Nuno Prates e ‘perdeu-se’ por entre a arte, o encanto, a elegância e o trágico que constituem esta herdade transformada em museu.

O exterior

A herdade da casa que hoje podemos visitar como museu foi originalmente adquirida por Carlos Relvas (pai) em 1805 e teve vários processos de construção e ampliação pelas mãos do arquiteto lisboeta escolhido por José Relvas, Raul Lino, sendo que a primeira fase incidiu entre 1903 e 1905, com uma segunda intervenção em 1914 e a última em 1926. Com traços de um estilo arquitetónico “Português Suave”, é essencialmente descrita como uma ‘Casa à Portuguesa’ que conjuga várias referências nacionais da Arquitetura Conceptual. O torreão a terminar com piná- culo em obelisco, consignado como símbolo da Casa e até da vila, foi concebido primeiramente para ser apresentado numa exposição em Paris no início do Séc. XX e não tem, na realidade, um valor simbólico específico associado. A fachada principal é composta por três pisos e um outro de águas furtadas, as suas fachadas são pintadas de branco e rematadas em cornija e beiral. Os azulejos da Fábrica Constância, autoria do pintor Jorge Pinto, são um dos cânones do Museu e podem ser observados tanto no exterior como no interior do palacete.

O interior

Ao entrar na casa o ambiente iluminado e, de certa forma leve, do exterior é substituído por um incrível ambiente carregado de contrastes em que os tons escuros da madeira e dos quadros parecem dominar aqueles claros dos azulejos e das esculturas. Nesta entrada somos de imediato brindados com a magnífica cena agrícola descrita em azulejo e, à medida que subimos as escadas, sentimo-nos como que numa recriação dos passos da família Relvas, um por um, até que o grotesco e soberbo candelabro que pende do teto nos ‘atinge’ a vista. Levados pelas salas e pelos quartos vamos conhecendo, pouco a pouco, a história por detrás desta família, imaginando as ‘personagens’ nos seus respetivos afazeres e admirando toda a arte que compõe o espólio da Casa e que foi colecionada pelo próprio José Relvas: falamos de quadros de valor imensurável de artistas como José Malhoa, Bordalo Pinheiro e Silva Porto, e de magníficas obras como o presépio de Machado de Castro ou até mesmo a própria biblioteca que reúne coleções literárias raríssimas. Uma casa muralhada por arte cujo propósito parecia ser escudar o âmago do homem destroçado que nela viu nascer e morrer os seus filhos. Não se fique o leitor pelo ponto de vista do nosso jornal e preste uma visita a esta ilustre casa pois com certeza irá tirar as suas próprias conclusões.