Medidas apertadas no novo Estado de Emergência

Numa conferência de imprensa que decorreu às primeiras horas deste domingo, o Primeiro-Ministro de Portugal, António Costa, apresentou ao país as novas medidas restritivas para prevenção da disseminação do Covid-19, decorrentes da recente declaração da situação nacional de Estado de Emergência.

Depois de ser alvo de críticas por vários setores da sociedade, devido à sua inação perante a subida galopante do número de infetados que, na passada semana, atingiu os máximos desde o início do pandemia (os 6000 casos novos num dia), António Costa, depois da reunião de urgência com o Conselho de Ministros, apresentou um conjunto de medidas que considerou “duras mas necessárias”, que evitam o regresso ao confinamento geral, e que permitem estacionar a curva pandémica e “salvar o mês de dezembro”, uma clara alusão às dificuldades que serão sentidas nalguns setores da nossa economia, como a restauração, hotelaria e comércio.

Estas medidas entram em vigor a partir desta segunda-feira, 9 de novembro até 23 de novembro, contudo, avisou o Primeiro-Ministro, semanalmente será feita uma avaliação da situação, deixando antever a possibilidade de agravamento ou desagravamento de algumas destas medidas, bem como a sua extensão no tempo. São divididas em dois grupos, digamos assim: medidas mais abrangentes a todo o território nacional e, depois, medidas mais restritivas para os 121 concelhos nacionais que se encontram em situação pandémica grave.

São estas as novas medidas, de carácter mais abrangente, a par das já em vigor como o distanciamento, o uso de máscaras, número de pessoas por ajuntamento:

  • Controlo de temperatura corporal no acesso a locais de trabalho, estabelecimentos de ensino e meios de transporte. 
  • Possibilidade de realização de testes de diagnóstico para acesso a estabelecimentos de saúde, lares, estabelecimentos de ensino, na entrada e saída do território nacional e estabelecimentos prisionais”.  
  • utilização de estabelecimentos de saúde dos setores privado e social.
  • Mobilização de recursos humanos para reforço da capacidade de rastreio”, através de trabalhadores do setor público como professores ou até militares das Forças Armadas.

Contudo, as medidas mais restritivas terão forte impacto nos 121 concelhos que estão na lista vermelha e que, adicionalmente, vão ver impostas medidas de limitação à circulação:

  • Limitação de circulação na via pública nos 121 concelhos entre as 23h e as 5h.
  • Nos próximos dois fins de semana – 14 e 15 de novembro e 21 e 22 de novembro – haverá uma limitação da circulação na via pública nos 121 concelhos ao fim de semana a partir das 13 horas e até às 5h

O concelho de Alpiarça não faz parte da lista destes 121 concelhos. Contudo, não é uma lista fixa. Serão avaliados os dados dos concelhos no que se refere ao número de infetados, e assim, poderão sair ou entrar desta lista.

Alpiarça tem ativos 4 casos e precisaria de 17 para entrar nesta lista de concelhos de risco. Cabe a cada munícipe cumprir as normas de prevenção da Direção-Geral de Saúde e, num ato cívico, respeitar o seu igual. Só assim se evita o contágio.

Estas medidas, sobretudo as que se referem à limitação de circulação, já valeram a contestação dos setores ligados à hotelaria e restauração que falam em “angústia e medo” para o setor. A Ordem dos Médicos, através do seu Bastonário, Miguel Guimarães, referiu que a declaração de Estado de Emergência era necessária e fez um aviso à população afirmando que a pandemia vai piorar nas próximas semanas e que é necessário manter “adesão total” às medidas preventivas.