Associação 1295 distribui bens para as vítimas dos fogos (c/vídeo)


A Associação 1295 de Alpiarça organizou uma campanha de recolha de bens para ajudar as vítimas dos incêndios que atingiram a região centro do país durante vários dias.

A recolha aconteceu durante os dias 20, 21 e 22 de junho no edifício da antiga Escola Visconde Barroso. Os bens foram entregues na sexta feira, dia 23. Várias foram as pessoas que se disponibilizaram a doar os bens e até mesmo a ajudar no embalamento e na logística.

Os bens recolhidos foram bens de 1ª necessidade, como roupa, calçado, material de primeiros socorros, roupas de cama, ração animal e produtos de higiene.

A associação partiu de Alpiarça na manhã de dia 23 para entregar em Góis e em Castanheira de Pêra as mais de 50 caixas recolhidas, doadas pelos Alpiarcenses e também por pessoas que quiseram contribuir embora não residam no concelho. O primeiro ponto de entrega foi em Góis onde o mais necessário eram rações animais e alguma roupa, uma vez que a maioria dos afetados foram os pequenos agricultores, que ficaram sem os terrenos e sem os animais.

Vanda Lopes Pereira, uma das organizadoras desta ação de solidariedade confessa que não estava preparada para o que encontrou na chegada às zonas afetadas pelo incêndio. Áreas enormes de floresta, aldeias e fábricas foram consumidas pelas chamas, que lavraram durante cerca de uma semana, causando 64 mortos, mais de 250 feridos e queimou mais de 50 mil hectares de terra.

Na paragem para almoçar, em Altarado, era possível observar os sinais do inferno que que ali se tinha vivido. A tinta da fachada do restaurante estava visivelmente estalada devido ao calor sentido. Os toldos encontravam-se derretidos. Atravessando a estrada, o cenário era de arrepiar. Milhares de árvores estavam carbonizadas. Era perfeitamente visível as marcas do fogo na estrada muito perto do restaurante.

À passagem pela estrada nacional 236, a designada “estrada da morte” era possível ver ainda veículos carbonizados que não tinham sido retirados dos terrenos junto à estrada. Também já era observável as zonas onde o alcatrão foi substituído devido aos danos causados pelo calor e pelas chamas.

Em Castanheira de Pera, uma das zonas mais afetadas pelas chamas foi onde a associação deixou a maioria dos bens recolhidos, para serem distribuídos pelas aldeias que se situam mais no interior da serra e que ficaram totalmente ou parcialmente destruídas pelo fogo.

Miguel Miranda, presidente da Associação 1295 deixou algumas declarações ao “O Alpiarcense”, referindo que tem a sensação de dever cumprido e agradece à população de Alpiarça o contributo para ajudar quem perdeu tudo para as chamas.