As várias faces da Política Alpiarcense

Sempre vi a política como algo positivo, intelectualmente desafiante e até inspirador quando bem executada em prol do desenvolvimento territorial.

Bom, mas isso foi até me lançar na política local a convi­te da candidata Sónia Sanfona para as listas da Assembleia Municipal. E se a blogosfera me passou ao lado durante a campanha, esta passou a ser quase o dia a dia a partir da pri­meira semana de mandato, desta feita na oposição. Rapida­mente percebi que havia uma espécie de submundo político na terra. O anonimato da blogoesfera contribuiu para muitos ajustes de contas. Não foi propriamente uma fase bonita da Política Alpiarcense, mas passado o período do “pós-guer­ra” assistimos a uma certa maturação dos assuntos. Talvez tivessem outra dimensão, talvez a experiência de muitos de nós que concluíamos 4 anos de mandato nos desse maiores certezas sobre os temas com que nos debatíamos.

Com a entrada de outro ator na arena política, com uma abor­dagem desconcertante e desafiadora, voltou a surgir um sec­tarismo, muitas vezes primário, intelectualmente duvidoso e socialmente desconcertante para quem deposita na política a expetativa desta ser um catalisador de iniciativas e desen­volvimento. Mas se pensar que a culpa da política é só dos atuais políticos, engana-se. Este pequeno Concelho tem uma longa história de luta social, com alguns episódios verdadei­ramente dramáticos, que foram bem explorados pelo partido que os acolheu e que os apresenta como seus, a cada oportu­nidade. Esta prepotência e o modus operandi do maior grupo político em Alpiarça, o PCP, tem uma forte influência na vida dos Alpiarcenses, mesmo para quem se coloca à margem das quesílias e lutas entre clãs políticos.

Um bom exemplo de tal falta de coesão-social são as inúme­ras Associações no Concelho. Desde recreativas a culturais, passando pelas desportivas, há de tudo e para todos os gostos. Não desvalorizo de todo o Associativismo em Alpiarça, mas preocupa-me a forma como a política se atravessa, politizan­do determinadas associações. Não compreendo como é que um Concelho tão pequeno consegue apoiar 24 associações, algumas delas com objetos sociais idênticos, pouco mais de 10 sócios, todas com a sua sede e os seus custos. Ora, se isto não é sinónimo da desunião entre pessoas com a cumplicida­de da autarquia, não sei que melhor exemplo haverá…

Existem duas grandes instituições associativas, a Sociedade Filarmónica Alpiarcense e o Clube Desportivo os Águias, e não entendo porque tais instituições não agregam mais áreas sobre a sua gestão com benefícios claros ao nível da reparti­ção de custos e distribuição de equipamentos. É uma questão de bom senso e de menos política.

O futuro político de Alpiarça passa, inevitavelmente, pela mudança de atores. É impossível continuar a apoiar um exe­cutivo que promove o sectarismo e a divisão entre Alpiarcen­ses, mesmo que indiretamente. Alpiarça precisa de um pro­jeto agregador que envolva as pessoas em prol da sua terra e não fomente “quintinhas” alimentadas pelo partidarismo.

Paulo Sardinheiro

Deputado Municipal

Movimento Todos Por Alpiarça