Alpiarcenses pelo mundo: A vez de Paulo Correia

Aprender a prescindir de uma refeição por dia foi o maior desafio que Paulo Correia encontrou no país de que mais gosta depois de Portugal, a Alemanha. Aos dois anos de idade mudou-se com a família para a nação do Oktoberfest mas os tempos de adolescente que passou em Portugal marcaram-no.

Que memórias guarda da sua infância em Alpiarça?
Muitas, eu e os meus amigos brincávamos todos juntos no fim da escola, tudo o que hoje não se faz. Sim, porque a minha infância foi dividida: metade na Alemanha, e outra metade em Portugal. Eu vim para a Alemanha com dois anos e meio, aos sete fui para Portugal; recordo o bom e o mau, deixei minha irmã em Portugal, porque não deve de haver mais bonito que é dois irmãos juntos.

O que o levou a emigrar para a Alemanha, mais particularmente Bayern?
Eu antes estive em Espanha, depois França e há quatro anos voltei ao país que mais gosto a seguir a Portugal, mas, na verdade, foi a dificuldade da vida em Portugal, nós aqui não somos ricos mas conseguimos uma vida melhor.

Sentiu-se bem recebido na Alemanha?
Sim, muito bem. Não me posso dizer descriminado por colegas alemães ou portugueses, mas os patrões são complicados, alguns!

Como descreve Bayern e a sua adaptação à cidade?
Eu estou em Bayern Wottenberg. É lindo, temos um dos maiores lagos do mundo e muitas coisas antigas, temo muitas tradições que ainda me lembro de criança, é lindo. A minha adaptação não foi difícil por eu já saber um pouco da língua, porque depois de voltar a Portugal tudo o que sabia se foi, mas pouco a pouco voltou com a ajuda de uma amiga, que tem sido o meu pilar. Não a conhecia, começámos a falar e hoje posso agradecer-lhe muito. Para mim, os nossos comeres são os melhores, aqui são as belas salsichas, mas o melhor mesmo é o tempero, adoro!

Há algum hábito típico alemão que o Paulo tenha adquirido?
Sim, normalmente à noite não comemos, o que a princípio me fazia muita confusão. Comemos torradas, coisa leve, tomamos um bom pequeno almoço e almoço para à noite estarmos leves e é bom para dormir. O corpo precisa de muita energia mas é durante o dia.

O fluxo de migração dos refugiados continua a ser tema na ordem do dia para a Alemanha. Nota que a sua vida enquanto emigrante na Alemanha também esteja a ser afetada por este fenómeno?
Não, pelo contrário. No local onde estou, tenho trabalhado muito para fazer casas para eles; sai dali o meu suor, mas é também dali que vem o meu dinheiro. Estas casas aqui na Alemanha, como em Portugal, são financiadas pelo governo, são acordos de guerra, o que um dia não vai ser bom para todos nós.

Portugal, é para voltar de vez?
Não sei, eu estou muito dividido, tenho a minha filha e família em Portugal, mas tenho cá um filho com dois anos e meio, não sei o futuro.

Aconselha a emigração?
Sim, porque eu amo o meu país, mas só para férias.

O que lhe deixa mais saudades em Alpiarça?
Os meus pais, filha e irmã e, claro, o seu marido e a minha afilhada linda, que é fruto da minha irmã.