Alpiarcenses pelo mundo: A vez de Carolina Sanfona

A recém casada Carolina Sanfona ainda não chegou aos ‘trintas’ e já divide o seu coração por três paí­ses. França é a terra mãe do seu marido, Barcelona é o seu local de trabalho, onde vive atualmente, e foi estar fora de Portugal que despertou nesta investi­gadora tecnológica o seu lado mais patriótico.

Como recorda a sua infância em Alpiar­ça?
Só tenho boas recordações da minha infân­cia em Alpiarça. Tive uma infância muito feliz. Tive uma infância muito normal, brin­cava muito na rua a jogar “à macaca”, ao berlinde e outros jogos assim, com os meus amigos e os meus primos.

Há algum episódio mais marcante da sua adolescência que queira partilhar?
Não há assim nenhum episódio que queira partilhar, porque não tenho nenhum que te­nha sido assim mais marcante, foram todos bons.

Qual foi o seu percurso académico?
Quando acabei o ensino secundário entrei no curso de Engenharia Química em Bra­gança. Estive lá 4 anos de 2007 a 2011. No meu último ano saiu o programa Erasmus Placement – este programa permite fazer um estágio de fim de curso no estrangeiro. Eu concorri, tive sorte de ser escolhida por uma empresa em Terrassa, Barcelona.

No início era para ficar aqui 6 meses mas eles gostaram do meu trabalho e pediram-me para ficar mais 4 meses. Quando acabou o estágio eles perguntaram-me se queria ficar, eu decidi que sim, tinha acabado de conhecer o meu marido e não havia muito futuro em Portugal. A minha família foi fun­damental na hora da decisão final, sobretudo a minha mãe, que sempre apoiou as minhas decisões.

Em 2014 decidi que queria aprender mais e especializar-me na minha área de trabalho, nanotecnologia, decidi fazer um mestrado aqui em Barcelona.

Quando emigrou pela primeira vez e para onde?
Emigrei a primeira vez em 2011 para Terras­sa, a mais ou menos 30 Km de Barcelona.

O que a motivou a fazê-lo?
Tal como expliquei antes, surgiu a oportuni­dade de fazer o estágio de final de curso fora de Portugal, e sabia que se ficasse não en­contraria um bom trabalho, e também por­que a ideia de viver noutro país, conhecer outras culturas atraía-me bastante.

Como descreve Barcelona, as suas paisa­gens, gentes e gastronomia?
Barcelona é uma cidade linda. Poucas ci­dades europeias podem oferecer a ampla diversidade da experiência cultural que se pode encontrar aqui em Barcelona. Aqui, a praia e a montanha estão muito perto.

Barcelona é uma cidade apaixonada pelas artes e arquitetura; aqui há dois museus de dois pintores espanhóis muito conhecidos, como Picasso e Dali, para não falar do Bair­ro Gótico, o Parque Güell, La Pedrera e a Casa Batlló.

Os catalães estão muito longe daquela ima­gem que nós temos dos espanhóis, são mui­to reservados. Aqui em Espanha têm a fama de ser muito agarrados ao dinheiro. Eles de­moram muito a confiar noutra pessoa mas uma vez que quebram a primeira barreira são muito simpáticos e bons amigos.

Quanto à gastronomia catalã, é muito me­diterrânea, mistura ingredientes mais dife­renciados da região, como os vegetais, le­gumes frescos, frutas, o azeite de oliva e os peixes do Mediterrâneo.

O mais típico é o pão untado com tomate, azeite e alho (tomàquet) e calçots (espécie de cebola) com molho romesco e os panel­lets, que são os bolos que se preparam no dia de Todos os Santos, de pinhão, coco, chocolate, etc.

O impasse político vivido em Espanha está a afetá-la enquanto emigrante? Se sim, de que forma?
Não, a minha empresa é privada e depende­mos maioritariamente de projetos de fundos da União Europeia e de projetos diretamente relacionados com empresas espanholas e in­ternacionais.

Há algum hábito típico espanhol que a Carolina tenha adquirido?
Sim, o torrão no Natal. Todos os anos, des­de que estou aqui, há sempre um na nossa mesa. E, sem dúvida, o “ir de tapas” com os amigos, às sextas-feiras, depois do trabalho.

Quais são os seus hobbies?
Gosto muito de viajar, adoro conhecer ou­tros países, descobrir paisagens novas e desfrutar de outras gastronomias mas, até agora, para mim, a portuguesa é a melhor.

Gosto de futebol, sou do Benfica e aqui em Espanha apoio o Real Madrid por causa do Cristiano e do Pepe.

O que aconselharia a alguém que quer vi­ver e trabalhar em Espanha, particular­mente Barcelona?
Sobretudo que tenham em conta que portu­guês e castelhano são muito parecidos mas os espanhóis não percebem nada de portu­guês. Outro conselho seria que é melhor viver nos arredores de Barcelona, porque a vida na cidade é muita cara.

Pensa regressar definitivamente a Alpiar­ça ou encontrou em Espanha um novo lar?
Não sei se vou regressar um dia definitiva­mente, mas gostava. Gosto de viver em Es­panha mas este não é o meu novo lar. Gosto de viver aqui, mas ainda não senti a sensa­ção de estar no meu novo lar.

Que lhe deixa saudades na sua terra na­tal?
A minha família, sobretudo a minha mãe, que é conhecida em Alpiarça como a “Pal­mira do Jardim Escola”, o meu irmão Pedro e a minha avó. O resto da família também me deixa saudades. Todos os meus amigos.

Não me posso esquecer da miga fervida que eu adoro e que tenho tantas saudades de co­mer.

Que mensagem quer deixar aos amigos e familiares que por cá ficaram?
Quero dizer à minha família e amigos que os adoro e penso neles todos os dias e que algum dia estaremos mais perto. Beijinho grande a todos e até ao Natal.