O Lixo

Não, isto não é só um problema de recolha. É muito mais do que um problema de recolha.

Estas tristes imagens, fizeram-nos recordar o que, durante a campanha eleitoral, em Outubro do ano passado, publicámos na edição em papel deste jornal:

 A mais fácil (solução) e, de melhores e imediatos resultados eleitorais, consiste em “atirar com dinheiro” para cima do problema: mais viaturas de recolha, mais pessoal, mais horas extras, etc. etc. etc.

O lixo desaparece afogado em dinheiro, e tem inúmeras vantagens políticas, a começar pela inauguração dos equipamentos que propicia belas fotografias, reportagens na imprensa, benzeduras, presença das forças vivas da terra, banda, foguetório, febras, vinho e pão. O clássico e habitual “Panem et circenses”. E tudo será pago pelos contribuintes, sem nada ficar definitivamente resolvido.”

e mais à frente:

A terceira, (solução) a mais barata e mais eficaz, é a que exige mais trabalho e nem sequer tem reflexos positivos numas próximas eleições, pelo que é imediatamente posta de lado, por quem corre o risco de levar um puxão de orelhas na noite das eleições. É sobre ela que iremos (Muda Alpiarça) trabalhar: 

  1. – Começaremos por avaliar qualitativamente e quantitativamente os resíduos colocados nos pontos de recolha. 
  1. – De posse dos resultados, trabalharemos para implementar as medidas oportunas para reduzir e melhorar os parâmetros avaliados em 1, como sejam:

 2.1. – Desenvolver uma consistente campanha de esclarecimento junto da população, convencendo as pessoas da vantagem de separar o lixo, e de o acondicionar de acordo com tudo o que já está mais do que estudado e experimentado por essa Europa fora.

 2.2 – Difundir a apoiar a utilização de compostores por quem o possa fazer e, em Alpiarça, muitos munícipes o podem fazer e com vantagens para os próprios.

 Era assim que faríamos. É também por aqui que se tem que estudar e resolver o problema. Sublinhamos “também” porque de certeza que há mais achegas e não somos donos da totalidade da solução.

Voltando á situação actual do “Lixo” e não da “Higiene Urbana” porque isso não existe em Alpiarça, comecemos por afirmar que não temos a mais ligeira dúvida sobre o empenho e dedicação do senhor vereador do pelouro; temos dúvidas, isso sim, sobre os pressupostos ideológicos que orientam a sua actividade como edil. Tal foi claramente afirmado pelo senhor presidente da Câmara, na Assembleia Municipal de Fevereiro do corrente ano, quando questionámos a opção pela “Gestão não Integrada do Sistema de Resíduos Urbanos”. Oportunamente detalharemos as opções que se apresentaram ao actual Executivo, já que este não esclarece a população como então prometeu.

Talvez mereça a pena olhar com mais atenção para as tristes fotografias:

  • Uma grade de plástico, pacotes de leite vazios e variadas garrafas de plástico que, se tivessem sido colocados no Ecoponto Amarelo, seriam recolhidas e transportadas a custas da Ecolezíria. Assim, foram recolhidas, transportadas, depositadas e pagas á tonelada por             nós, munícipes de Alpiarça
  • Resíduos vegetais, que poderiam (para quem o pudesse fazer) ser depositados em compostores. Não tendo sido, foram recolhidas, transportadas, depositados e pagos á tonelada por nós, munícipes de Alpiarça;
  • Garrafas de vidro, não visíveis, mas perfeitamente audíveis durante a descarga para o veículo de recolha que surgiu pouco depois, que, se tivessem sido colocados no Ecoponto Verde, seriam recolhidas e transportadas a custas da Ecolezíria. Assim, foram recolhidas, transportadas, depositadas e pagas á tonelada por nós, munícipes de Alpiarça;
  • As habituais caixas de cartão do comércio da zona, que nem espalmadas são, e outros papéis, que, se tivessem sido colocados no Ecoponto Azul seriam recolhidas e transportadas a custas da Ecolezíria. Assim, foram recolhidas, transportadas, depositadas e pagas á tonelada por nós, munícipes de Alpiarça;
  • Matéria orgânica doméstica, não visível, mas que certamente lá está, que poderia (para quem o pudesse fazer) ser depositada em compostores. Não sendo, foram recolhidas, transportadas, depositadas e pagas á tonelada por nós, munícipes de Alpiarça;
  • Um tubo (?) de ferro, que felizmente estava visível, caso contrário poderia acarretar danos no veículo de recolha, danos esses que seriam pagos por nós, munícipes de Alpiarça.

 

Em resumo:

Tudo o que se coloca nos Ecopontos, vai ser recolhido e transportado a custas da Ecolezíria;

Tudo o que se coloca nos contentores, vai ser recolhido e transportado a custas dos alpiarcenses. Talvez seja conveniente detalhar um pouco estes custos:

– Combustíveis, lubrificantes, manutenção e reparações das viaturas utilizadas na            (não) Higiene Urbana e sua amortização;

– Vencimentos, encargos sociais, seguros, EPI´s e outros referentes ao pessoal envolvido;

– Equipamento para deposição dos resíduos como sejam mais papeleiras e mais contentores;

– E muito mais certamente.

Mas, e repetimos, tudo o que se coloca nos ecopontos, vai ser recolhido e transportado a custas da Ecolezíria, o que é natural, já que são são resíduos que vão serão valorizados.

Então porque não olha o executivo da Câmara Municipal de Alpiarça, para “a terceira solução” que consta do que publicámos e reproduzimos acima? Porque não desenvolve uma campanha junto da população, mas uma campanha consistente, demonstrando ás pessoas as vantagens da separação do lixo e consequente deposição nos Ecopontos. Certamente que não há impedimento ideológico; veja-se o caso do Seixal, também CDU. Seria uma maneira daquele contentor das fotografias, ficar reduzido a metade do volume, o mesmo é dizer, a metade do custo para os alpiarcenses.

Manter as coisas como estão, só indiciará incompetência ou masoquismo financeiro ou falta de respeito pelo dinheiro dos alpiarcences. Ou as três juntas.

 

 

Armindo Batata – Deputado Municipal eleito por Muda Alpiarça (PSD-CDS-MPT)