Mobilidade e Concursos põem em causa transparência da Autarquia

Na última reunião da Assembleia Municipal, os ânimos no auditório aqueceram quando um deputado da bancada do Partido Socialista inquiriu o presidente da Câmara Municipal, Mário Pereira, acerca da transferência de uma funcionária da autarquia. A funcionária em questão exercia a função de guia, há três anos, no Museu dos Patudos, um local que tem sido objeto de discussão em várias reuniões de Câmara por causa da falta de pessoal, e foi, abruptamente, colocada no serviço de higiene urbana.

O autarca referiu que uma assembleia municipal não é o local para resolver assuntos concretos de funcionários mas assegurou que a autarquia não violenta carreiras. Acrescentou que houve alterações na disposição dos serviços e que, naturalmente, houve mexidas no pessoal.
Com a saída de público após as declarações do presidente do executivo, os ânimos continuaram exaltados no exterior do edifício. Falámos com Paula Esteireiro, 57 anos de idade e 15 anos ao serviço da autarquia, a funcionária em causa e que referiu ao Alpiarcense que ao longo destes anos de serviço, andou sempre de um lado para o outro, e sempre trabalhou em todo o tipo de serviços para onde foi destacada. Um dia, um dos vereadores perguntou-lhe qual a sua disponibilidade para ingressar na unidade orgânica do Museu como Guia. Aceitou, tendo-se esforçado por melhorar a sua formação pessoal, após o horário de trabalho e à sua conta, de forma a desempenhar o melhor possível as suas funções. Chegou mesmo a elaborar um Roteiro com várias possibilidades de percursos que foram não só uma sebenta sua como chegou a andar de mão em mão para auxiliar colegas .

No início deste ano, no Carnaval, recebeu um telefonema para se apresentar, no seu 1º dia de trabalho depois das férias, noutro serviço. E desde então tem andando na limpeza das ruas. Os problemas de coluna impossibilitam-lhe o exercício desta função e tem estado de baixa. Gostava a Paula de saber a resposta a algumas questões: qual a razão porque a retiram de um local que tem falta de pessoal; porque razão a deslocam tão à pressa sem uma justificação; o porquê da escolha dos serviços de limpeza das estradas se há outros serviços que se debatem com falta de pessoal e que são compatíveis com os problemas de coluna que tem.

As questões do pessoal têm sido uma dor de cabeça para o executivo. Recentemente, e a propósito da abertura de um procedimento cursal para regularização de vínculo precário para duas auxiliares de ação educativa, uma das candidatas vem às redes sociais reclamar acerca do procedimento deste concurso. Refere na sua publicação que após o resultado da 1ª fase de avaliação das habilitações e da respetiva entrevista pessoal, afinal o concurso resume-se a uma vaga que acaba por ser preenchida por um familiar de um vereador.
Foi assunto abordado pela oposição PS numa Assembleia Municipal e numa reunião de Câmara.