“Meninos” de ouro do ciclismo português reúnem-se em Alpiarça

Alexandre Ruas, Alfredo Gouveia, António Marçalo, António Martins, Armindo Lúcio, Floriano Mendes, Joaquim Andrade e Marco Chagas, ciclistas que fizeram parte da equipa do Águias-Clok da Volta a Portugal nos anos de 1977 e 1978, estiveram reunidos no passado domingo dia 2 de Setembro, em Alpiarça, num almoço de confraternização que teve lugar no restaurante Danidoce, propriedade do ex-ciclista António Marçalo.

Na Volta a Portugal de 1977, a equipa do Águias-Clok arrebatou o 1ºlugar na classificação por equipas com o percurso efetuado em 133h15’09”. Na geral individual, Marco Chagas ficou em 5º lugar e Joaquim Carvalho em 7º. Na classificação por pontos, Alexandre Ruas ficou em 1º com 43 pontos e Joaquim Carvalho ficou em 3º com 32 pontos. Em 1977, Alexandre Ruas soma 78 pontos ficando em 1º lugar na classificação por pontos, o 4º classificado na geral, e vence a 3ª e 4ª etapas e Alfredo Gouveia fica em 3º com 29 pontos. Joaquim Carvalho vence a 9ª etapa. Mas uma volta não vale só pelos ciclistas vencedores; o Águias-Clok era uma equipa onde todos trabalhavam para que houvesse vencedores.
E contaram-se histórias de estratégias, de técnicas, histórias de tempos em que as coisas tinham dificuldades acrescidas porque o ciclismo não dava aos atletas as condições que lhes proporciona hoje. Foram histórias que recordaram muita camaradagem, muito espirito de entre-ajuda.

40 anos após as Voltas que marcariam para sempre a história do ciclismo português e que colocariam Alpiarça no mapa internacional, ciclistas, técnicos, familiares reúnem-se para lembrar esta equipa e para prestar homenagem aos familiares (mulheres e filhos) que sempre os apoiaram e incentivaram.

António Marçalo, que dedicou a sua vida ao ciclismo, cumpriu assim uma vontade que há muito tempo acalentava: juntar todos os elementos da equipa. Foi com a emoção á flor da pele que António Marçalo recebeu colegas que não via …há 40 anos! E juntou realmente toda a equipa: Manuel Miranda do Céu, o diretor que montou a equipa; Gabriel Canha, o incansável massagista que nos confidenciou que os atletas chegavam ao fim das etapas com dores insuportáveis no corpo todo e Francisco Araújo, o mecânico! A fazer os 84 anos no próximo dia 20, Francisco Araújo entrou nas voltas em 1957. Um mecânico que todos os atletas admiram. “É que antigamente, as bicicletas tinham de ser reparadas. Não é como hoje que fazem substituições. Antigamente, reparávamos tudo!”- confessou este técnico, com participação em 42 Voltas a Portugal, 23 Campeonatos do Mundo (onde representou Portugal, Estados Unidos da América, Irlanda do Norte e Suíça), 18 Voltas a França, 16 a Espanha.

No fim das etapas as bicicletas tinham manutenção; os furos, a avaria mais comum, eram reparados, a direção alinhada. Muitas vezes , Francisco Araújo não tinha tempo de jantar e trabalhava pela noite dentro. Permaneceu no Sporting até à relativamente pouco tempo. E tem muitas saudades do ciclismo.

Mas há sempre um momento para abandonar as competições.Para Marco Chagas, atualmente comentador de ciclismo, esta modalidade permite atletas em competição até muito tarde. ” O problema é que não têm contratos! E sem contratos têm de desistir.”
Foi um almoço que se prolongou pela tarde e que contou ainda com a presença de Joaquim Rosa do Céu, que acompanhou o pai, Manuel Miranda do Céu e de Carlos Jorge Pereira, antigo ciclista e fundador da escola de formação de ciclistas dos Águias.