Maria Domingas Mendoça: “Existe uma desvalorização e desvirtuação do papel da Junta de Freguesia muito grande.”

Maria Domingas Mendoça é a candidata à Assembleia de Junta da Freguesia de Alpiarça, pelo Movimento Muda Alpiarça.

O que a levou a candidatar-se?
O convite que me foi feito pelo Paulo Sardinheiro foi no sentido de formarmos uma equipa de pessoas capazes e com vontade de fazer algo diferente por Alpiarça, tornando-a mais solidária, mais estruturada e mais atrativa para viver, trabalhar e criar os nossos filhos.
Dada a minha experiência como autarca na Junta de Freguesia, o apoio à nomeação foi unânime.

Quando foi convidada não hesitou?
Não hesitei! Gostei muito da experiência que tive em 2009/2013 e será um grande privilégio voltar a dar o meu contributo. Nestes últimos 4 anos, tornei-me mais empreendedora. Sinto que cresci imenso com o meu projeto agrícola e gostava de passar esta minha energia e aprendizagem para a autarquia.

O que precisa a freguesia?
Alpiarça tem muitos problemas por resolver que são do foro da Junta de Freguesia. Um dos temas que nenhum dos executivos que por aqui passou conseguiu resolver até à data, apesar de ter sido largamente debatido nas reuniões de Junta quando fiz parte do executivo 2009/2013, é o “cemitério velho” que se encontra no meio da vila.  Não há soluções ideais, mas há soluções. O nosso movimento irá avançar com uma proposta para resolver este “embaraço” autárquico da não-resolução deste tema.
Não posso desvendar já, mas temos um projeto que poderá ser a solução para aquele espaço. Outro problema que gostava de resolver prende-se com o aspeto pouco cuidado de muitas ruas de Alpiarça. Parte do problema é da responsabilidade dos privados proprietários de imóveis devolutos, sendo que a autarquia tem a sua quota-parte no cuidado e manutenção dos espaços públicos da nossa vila.
Eu sou defensora de políticas de proximidade e de cooperação entre os privados e o poder local. Cooperação esta que implica uma co-responsabilização no zelo dos espaços públicos. Neste sentido tenho um objetivo muito claro, que é de criar um fundo dentro da Junta de Freguesia para desenvolver um conjunto de ações concretas em regime de orçamento participativo onde, conjuntamente com os privados, iremos recuperar alguns imóveis devolutos e devolver aos Alpiarcenses a dignidade de muitas das nossas ruas.

Há coisas que faria de forma diferente da atual presidente? O quê?
Claro que há!! Existe uma desvalorização e desvirtuação do papel da Junta de Freguesia muito grande. Não se trata de má gestão autárquica, mas sim de uma gestão política dos órgãos autárquicos, Câmara e Junta, profundamente errada. Passo a explicar porquê:
Muitas pessoas perguntam o que fazem os vereadores? A resposta vem nas publicações de Facebook com os vereadores de “mão dada” a acompanharem os trabalhos de limpeza das ruas. Ora, o que acontece é que para justificarem determinados cargos políticos, o executivo puxa para si muitos dos trabalhos que são do foro da Junta de Freguesia, tornando o seu papel na nossa comunidade ridiculamente pequeno! Nos últimos anos, a Junta tem sido expurgada de muitas responsabilidades, alegando falta de verbas. Mais uma mentira política, porque na verdade o trabalho é feito e as verbas gastam-se na mesma. O executivo fica com os louros para si, mas perde o foco do seu principal papel.
Na minha opinião, os trabalhos de manutenção dos espaços verdes e limpeza dos espaços públicos ( Praças, Mercado, escola, etc.) devem ser da responsabilidade da Junta de Freguesia. Estes são temas que não fazem sentido numa reunião de câmara ou numa Assembleia Municipal. Nestes órgãos, a discussão deve focar-se nos programas de desenvolvimento do concelho, pois foi para isso que foram eleitos.

Qual a grande obra deste mandato?
É uma pergunta injusta. Com um papel autárquico tão diminuído, qualquer obra que tenha sido realizada nos últimos 4 anos só pode ser circunstancial. Não obstante, gostei do resultado cosmético realizado ao edifício da Visconde Barroso. Está mais agradável à vista de quem passa. Mas infelizmente perdeu-se uma oportunidade de requalificar o seu interior, a pensar numa utilização mais exigente por parte de empresas e não apenas focada nas associações que vivem dos subsídios que a autarquia vai distribuindo.
Mas se me pergunta qual a grande obra que pretendo realizar no meu mandato, aqui posso ser muito mais precisa nos objetivos que me proponho concretizar.
Para além da reorganização das responsabilidades da Junta de Freguesia, já discutidas internamente e nas quais conto com o total apoio do Paulo Sardinheiro e restante equipa, onde iremos assumir todos os trabalhos de jardinagem e limpeza das ruas de Alpiarça, no meu mandato iremos desenvolver esforços para criar um novo cemitério no concelho, nomeadamente num dos lugares, Frade de Cima ou Frade de Baixo.
Talvez a maioria da população desconheça, mas esta autarquia tem perdido receitas relevantes, pois a maioria das pessoas dos Frades, ao sentirem-se emocionalmente mais próximas de Almeirim do que de Alpiarça, acabam por utilizar Almeirim como sua última morada. Este é um facto e uma tendência que quero contrariar.
Este é um projeto que está a ser pensado fora dos parâmetros tradicionais, mas que farei questão de discutir com os residentes locais, na altura certa.

Porque devem votar em si e no Movimento MUDA ALPIARÇA, no dia 1 de outubro?
Como tem sido notório ao longo destes últimos meses, o nosso movimento tem apresentado um série de projetos muito interessantes, todos eles exequíveis, sem exigirem orçamentos megalómanos, extremamente bem estruturados e bem eladorados.
As pessoas devem votar na mudança que pretendem ter nas suas vidas e na sua terra. As nossas propostas materializam essa mudança. E a nossa juventude dá-lhe força anímica! Assim sendo, os alpiarcenses deveriam ler as nossas propostas, e decidir se querem continuar com uma gestão de festas e festarolas ou se, de facto, querem ver a sua terra evoluir. Para mim, que já estive envolvida em vários projetos, considero-o o melhor de sempre. A diversidade de opiniões que existe tem dado provas desse valor, e o facto de não sermos movidos por interesses partidários e políticos mas unicamente pelos interesses de Alpiarça é um fator chave de sucesso desta candidatura..

É necessária uma maioria clara?
Não considero necessária uma maioria clara, até porque temos grande estima por todos os que contribuem e influenciam o processo democrático. Para uma democracia saudável, é essencial que exista heterogeneidade. Tendo já sido vogal do executivo da Junta de Freguesia de Alpiarça entre 2009 e 2013, sendo os outros 4 elementos da CDU, tive uma experiência extremamente enriquecedora com pessoas de ideias, na sua essência, diferentes das minhas mas com um objetivo comum: a melhoria das condições de vida dos alpiarcenses. É, por isso, interessante lidar com diferentes ideologias políticas para que possamos colocar as situações em perspetiva e no final decidir pelo melhor para Alpiarça e não para o partido.

Acredita que Mário Pereira vai ganhar de novo a Câmara Municipal de Alpiarça?
O voto é secreto. É um direito e também um dever. Acredito, sim, que as pessoas de Alpiarça estejam saturadas de uma ação política de 8 anos com resultados praticamente nulos na terra, se não negativos. Com os projetos que temos, a mudança parece algo lógico e inerente à vontade dos alpiarcenses. Considero também que a população de Alpiarça percebe cada vez melhor que as atitudes deste atual executivo são de puro conformismo e que só nestes últimos meses fizeram algum trabalho, justificando sempre a sua inércia com a falta de dinheiro. Então, se o problema é pouco dinheiro, e se realmente as obras que temos visto ultimamente não são apenas show-off pré-eleitoral, porque não se alcatroa só uma ou duas ruas condignamente em vez de se pintarem 10 ou 15 ruas com uma película de alcatrão que não dura até dia 1 de outubro?