Investigador alpiarcense revoluciona o conhecimento do universo

João Faria, doutorado em Astrofísica e atualmente investigador no Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço e Professor Convidado na Universidade do Porto, liderou um trabalho que permite identificar com mais precisão a existência de novos planetas.

Os resultados desta investigação liderada pelo jovem investigador de Alpiarça com apenas 29 anos e que envolveu a participação de mais 12 investigadores, vai ser publicada na conceituada revista científica Astronomy & Astrophysics.

A partir do espectógrafo Expresso, um instrumento que permite medir as velocidades radiais (velocidades variáveis das estrelas), João Faria desenvolveu um método que permite descobrir com mais precisão a existência de exoplanetas.

Recentemente, vários estudos apontavam a existência de dois novos planetas na órbita da estrela HD 41248 da constelação Pintor do hemisfério celeste sul. Com esta investigação, João Faria demonstra que estes não são novos planetas mas “ruídos” estrelares, manchas estelares ou zonas de alto brilho criadas pela atividade da própria estrela que imitam a presença de planetas.

Como referiu João Faria “o nosso trabalho demonstra que detetar pequenos planetas, até mesmo maiores do que a Terra, não é uma tarefa fácil. A contaminação causada pela própria estrela tem que ser tida em conta e corrigida. Este vai ser de certeza um passo necessário para a deteção de um planeta como a Terra, e este estudo é o primeiro avanço na utilização do ESPRESSO para esse objetivo.”

O investigador desenvolve neste momento uma ferramenta informática que permite usar riscas no espectro da estrela que são menos afetadas pela atividade desta e explica que “ainda é necessário entender melhor a forma como a atividade estelar pode afetar as variações de velocidade que medimos e encontrar melhores métodos para analisar e retirar toda a informação dos dados.”