Impacto na economia local de uma greve que terminou… no limite

Com o comunicado do fim da greve dos Motoristas de Transporte de Matérias Perigosas às primeiras horas da manhã desta quinta-feira, 18 de abril, o país respirou de alívio.

Agora faz-se as contas ao impacto desta greve nas bolsas dos portugueses.

Vítor Piteira, proprietário de bombas de gasolina, referiu à nossa redação que, embora a corrida às bombas para abastecimento tivesse gerado um pico na receita ainda que nesta quadra já fosse esperado, ficou sem combustível. Desde segunda-feira que não era abastecido e mesmo com o fim da greve ainda vão ser necessários uns 2 ou 3 dias para repor a normalidade. E durante este tempo vai ter prejuízo. Ainda faz as contas ao impacto.

A Monliz, uma das maiores empresas do concelho de Alpiarça, viu o fim da greve acontecer…no momento certo.

Para o Diretor Geral da empresa “felizmente que não houve prejuízo porque estamos no início de campanhas, a da ervilha, e os campos ainda não estão prontos para a recolha”. A empresa tinha posto em funcionamento o plano de contingência e faziam a gestão das atividades urgentes. Os clientes internacionais já estavam avisados para qualquer eventualidade. Com o abastecimento de gás que ocorreu ontem e que permitiu abastecer a zona de Alpiarça e Almeirim, conseguiram continuar a laborar normalmente. Contudo, Mauro Cardoso referiu que já estava previsto parar a unidade de produção se a greve continuasse.

Os alpiarcenses viram a rede de transportes limitada e o receio de não se conseguirem deslocar para trabalhar ou para umas mini férias em família nesta Páscoa. Com a carteira mais leve, muitos abasteceram os depósitos mais cedo do que seria necessário e faziam já contas a umas idas extra às superficies comerciais com receio de falhas na distribuição de bens alimentares.

Agora, a partir de 29 de abril, sindicatos (Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas – SNMMP) e patrões (Associação Nacional de Transportes Públicos Rodoviários de Mercadorias – Antram) vão sentar-se à mesa das negociações. O acordo obtido nesta madrugada que pôs fim à greve, prevê as negociações do acordo coletivo de trabalho até dia 31 de Dezembro. Este processo será acompanhado pelo Governo.