E agora?

E agora, como é que se vai encher a barragem dos Patudos?
O ano passado, 2017, a barragem foi abastecida com 348,8 milhões (1) de litros de água, bombeados clandestinamente, de um furo de grande profundidade. A capacidade da barragem, de acordo com a A.P. do Ambiente, é de 326 milhões de litros. Daqui se conclui que a água da barragem foi completamente renovada, o que, certamente, foi muito bom para os peixes, mas menos bom para a nossa carteira e para o ambiente.

Tal volume de água, extraído dos recursos hídricos subterrâneos, que dizem ser muito importantes para uso agrícola, não poderá encaixar em nenhum conceito de utilização racional da água. Sendo a Câmara de gestão comunista, muito mal vista fica a sua facção ecologista, que, noutros contextos, pugna pelo “controlo da exploração dos aquíferos por forma a não por em causa a sua existência”. De que forma, a captação daqueles 348 milhões de litros, foi controlada?

Talvez tenha sido a irracionalidade de tamanho esforço sobre o aquífero, que levou a que o pedido de legalização feito à entidade licenciador, quando esta soube da utilização clandestina do furo, foi indeferido.

Em 2017, talvez por ser um ano de pouca pluviosidade, foi necessário abastecer a barragem com mais água do que a capacidade dela. Como vai ser este ano? E num ano de menos pluviosidade tal como foi 2017?

A barragem vai, naturalmente, perder água por evaporação, mas tudo aponta para que tenha graves problemas de estanqueidade, ou seja, estará a perder demasiada água por infiltração no fundo. Se o furo não voltar a ser utilizado clandestinamente (se a APA/ARH do Tejo não fechar novamente os olhos ás pesadíssimas coimas, quem as vai pagar?) o que tem a Câmara previsto para manter a albufeira a um nível que todos desejamos ?

Há soluções e, não temos conhecimento de estarem, ou terem sido, ponderadas, em termos de custos e de eficácia. Admitimos que já esteja engatilhada uma qualquer desculpa que envolva o Governo Central, o Passos Coelho, o grande capital e os opressores do Povo, mas o povo, que somos todos nós, gostamos da barragem dos Patudos e o mínimo que pedimos, é que trabalhem para encontrar soluções que a mantenham com aquele aspecto que nos deixa vaidosos quando temos visitas. Esperamos vivamente que,
ao contrário do nosso receio, já exista um plano, com custos menores do que os 109.000 KWh (1) gastos o ano passado, para por em prática este e nos anos seguintes, no caso da água da albufeira dos Patudos descer para níveis preocupantes.

Armindo Batata

(1) – Cálculo efectuado a partir de valores indicados pela C.M. de Alpiarça.