Da esquerda para a direita: Mudança

“É Alpiarça tem que aproveitar todas as âncoras para impulsionar o seu desenvolvimento. Não pode continuar a perder oportunidades.

A Vala Real é uma dessas oportunidades. A hipótese de utilização deste curso de água para fins turísticos merece, no mínimo, ser avaliada. Nem sempre foi um caneiro. Já foi uma riqueza; nela se pescava, se lavava a roupa e se tomava banho nos dias de canícula, como muitos se lembram.

A Vala está a querer voltar ao que já foi. E é bonita de se ver: as margens, as aves, os salgueiros que pendem para a água, a calma e o sossego que dela emanam. Então porque só nos 3 ou 4 dias durante a feira do melão é aproveitada para passeios de meia centena de metros? A Vala tem estradas ao longo das suas margens (Almeirim, Porto da Gouxa, Carril, Casal Branco, Tôco e Ponte dos Alpiarceiros).

Quantos rios, no nosso país, têm tantos acessos para automóveis? Porque não a preparar para que as populações urbanas, ávidas de “natureza” a descubram? Tem pontes e caminhos pedonais desprezados. Terá um parque de autocaravanas a 50 metros, no centro da vila. Tem um parque de campismo a mil e poucos metros. Entre o açude do Carril e a Lagoalva de Baixo, são 4 quilómetros, praticáveis, no mínimo, por canoas. Para a sua utilização bastaria a construção de 2 ou 3 pequenos cais de madeira.

Que falta então? A Vala quer voltar a ter peixes. Em fevereiro março e abril, há pescadores a jusante do açude do Carril. Isso significa que há peixes a quererem subir o rio. Os mais novos não sabem, mas na Vala havia, enguias, sáveis, sabogas, lampreias e muito mais. Porque não se constrói, no açude do Carril, uma transposição para peixes? Porque sozinhos continuaremos a ser pequenos, devíamos avaliar a possibilidade de protocolos com Almeirim e com a Chamusca, para eventual utilização turística conjunta do rio. Não será difícil torná-lo praticável por canoas e pequenas embarcações, desde Almeirim até Vale de Cavalos. Para isso bastaria construir 2 ou 3 pequenas eclusas de 10 a 15 m3, de manobra manual, e perfeitamente exequíveis com os recurso técnicos e humanos dos Municípios.

Caudal na estiagem? Há soluções. Protocolos com clubes de canoagem e ambientais, permitiriam, pela utilização continuada, a manutenção da vala sem infestantes aquáticas. A única casa Avieira que ainda resta da aldeia do Tôco, recuperada, serviria de apoio, a clubes de canoagem, ou grupos organizados. Tanto para fazer por Alpiarça! Parados é que não vamos a parte nenhuma.

 

Armindo Batata – Muda Alpiarça