CTT sem fumo branco em Alpiarça

Ao mesmo tempo que se manifestavam em Lisboa, na sede dos CTT,  utentes do serviço postal público em risco de encerramento, elementos das autarquias, presidentes de junta e sindicatos das comunicações, decorria uma reunião entre as autarquias afetadas por este “plano de transformação operacional”- Alpiarça, Seixal, Loures,Camarate e Areeiro- e a administração dos CTT sem que se tivesse chegado a um acordo.

Recorde-se que em Dezembro último foi noticiado o encerramento de 22 estações dos Correios, sendo que destas, 8 já se encontram atualmente encerradas. Num comunicado dirigido às redações dos órgãos de comunicação social  a administração dos CTT  garante “assegurar proximidade às populações, com 2.366 pontos de acesso” e que há “já aberto ou assegurada a abertura de 13 novos estabelecimentos postais – postos de correios – nas envolventes das 22 lojas cujo encerramento foi anunciado, encontrando-se ainda em negociação seis adicionais”.

Segundo a empresa, a sua rede de atendimento inclui 2.366 estabelecimentos postais – pontos de acesso, correspondente a 598 Lojas e a 1.768 postos de correio, “número este que representa um incremento de 49 estabelecimentos postais – pontos de acesso nos últimos quatro anos. Acrescentam ainda que“reiteram ser uma empresa permanentemente apostada em oferecer serviços postais de forma universal, com qualidade e eficiência, pelo que a cada momento, tendo sempre presente critérios de proximidade, analisar as oportunidades de proceder a alterações na sua rede de atendimento”.

Mário Pereira,  presidente da Câmara Municipal de Alpiarça, considera que os CTT querem que sejam as autarquias a assumir funções e responsabilidades que não sao das suas competências. A autarquia já reuniu por várias vezes com a administração dos CTT e colocou em cima da mesa algumas propostas, entre elas, uma cedência de espaço. Ainda para o presidente da autarquia,  não se trata de uma questão económica, uma vez que “a estação dos CTT de Alpiarça deu lucro no ano passado”. 

Apenas com dois funcionários  mas com uma média de seis minutos de atendimento por utente, esta estação é, no parecer  do presidente da Câmara, vital para o concelho em desenvolvimento. Na resposta a esta intenção, a autarquia aprovou uma moção votada por unanimidade em reunião de Câmara de 12 de Janeiro, fez parte da carta entregue à administração dos CTT que engloba os autarcas anti encerramento e tem reuniões  agendadas com o ministro da Tutela, a Anacom e sindicatos das telecomunicações.  A comissão de Utentes efetuou no dia 5 de Janeiro uma concentração em frente aos CTT e tem a circular por vários  cafés  da vila, um abaixo assinado que vai permitir, com as assinaturas suficientes, levar o assunto à discussão na Assembleia da República.  Para a coordenadora da Comissão,  Fernanda Garnel, ” não se pode tratar este assunto como uma guerra política  porque não é. Aqui está em causa uma população envelhecida que fica sem um recurso, um concelho sem um serviço público.

Na Assembleia da República todos os partidos contestam esta intenção. Mas para a levarem  à discussão são precisas estas assinaturas. A empresa tem um contrato que a obriga a cumprir um serviço e tem de o fazer!” Para o próximo dia 23 de fevereiro a Comissão de Utentes de Alpiarça vai juntar-se aos trabalhadores da CTT e manifestar-se em Lisboa na sede dos CTT.  A Reestruturação da empresa prevê ainda o despedimento de 800 trabalhadores e o corte de 25% no salário dos presidentes do Conselho de Administração e executivo. A privatização dos CTT, que rendeu aos cofres do Estado mais de 900 milhões de euros, foi feita em duas operações,  uma em 2013 e outra em  2014 – que renderam, respetivamente, 579 milhões de euros (70% do capital social da empresa a 5,52 euros por ação) e 343 milhões de euros (30% do capital social detido pela Parpública ao preço de 7,25 euros por ação).