CTT: Lacerda cai e empresa é obrigada a reduzir preços por falhas na qualidade da prestação de serviço

Os CTT anunciaram nesta sexta-feira, dia 10 de maio, que Francisco Lacerda, presidente do Conselho de Administração, pediu a demissão do cargo que ocupava desde Agosto de 2012 e cujo mandato terminaria em Dezembro deste ano.

Na reunião da assembleia geral, os acionistas recusaram aprovar o voto de confiança à administração dos CTT. O Jornal Económico teve acesso a um email enviado por um grupo de acionistas ao presidente da assembleia geral a 26 de abril que demonstra o clima de tensão entre acionistas e a administração dos CTT.

Já se fala que João Bento deverá ser o sucessor provável de  Francisco Lacerda. O administrador não-executivo do Grupo CTT é vice-presidente do Grupo de Manuel Champalimaud, o maior acionista individual dos CTT com 12,58% do capital social.

No mesmo dia em que Lacerda abandona a administração dos CTT, a ANACOM, entidade reguladora da Comunicações emite um comunicado onde refere que os CTT vão ter de baixar os preços de alguns serviços postais por falhas em dois indicadores de qualidade, em 2018: “os CTT incumpriram em 2018 dois indicadores de qualidade do serviço postal universal pelo que a ANACOM determinou em sentido provável de decisão que a variação máxima de preços permitida para 2019 é deduzida em 0,085 pontos percentuais”.

Em causa estão os prazos de encaminhamento de correio azul no Continente e no encaminhamento do correio transfronteiriço intracomunitário. A ANACOM refere que os Correios “apenas conseguiram entregar nesse prazo 92,3% do correio (91,4% em 2017), violando quer o mínimo quer o objetivo, ou seja, cerca de 2 milhões de cartas do correio azul demoraram mais de 1 dia útil a ser entregues”.

No caso do correio transfronteiriço intracomunitário, no mínimo, 85% do tráfego de cartas enviadas de e para Portugal, na modalidade correio internacional de primeira velocidade, deve ser entregue até três dias úteis depois do seu depósito num ponto de receção. Para a ANACOM, “este é o terceiro ano consecutivo em que os CTT não conseguem cumprir a totalidade dos 11 indicadores de qualidade do serviço postal universal a que estão obrigados e é o segundo ano consecutivo em que a empresa não consegue cumprir os indicadores relativos ao encaminhamento do correio azul no continente e do correio transfronteiriço intracomunitário.”

A Entidade Reguladora acrescenta ainda que em 2016, a concessionária do serviço postal universal não tinha cumprido o valor mínimo fixado para o indicador do “Correio normal não entregue até 15 dias úteis.”

A isto ainda se junta o encerramento das 33 estações dos CTT por todo o país, o que leva o tema da sua reabertura a estar na ordem do dia.