Contagem decrescente para o início de uma nova era na recolha do lixo

Uma iniciativa conjunta do Município de Alpiarça e da empresa Ecolezíria, decorreu ontem, dia 27 de março, pelas 18 horas no auditório dos Paços do Concelho de Alpiarça, uma sessão participativa sobre o novo sistema de recolha do lixo porta-a-porta que será implementado nos concelhos da Resiurb em janeiro de 2020.

Este sistema de recolha de resíduos urbanos da Ecolezíria surge na sequência de estudos que referem o desperdício e os custos para os municípios no tratamento dos lixos indiferenciados. 52.403 toneladas de lixo indiferenciado tratado contra os 4 243 toneladas de lixo separado, mostra uma fraca participação dos cidadãos no processo de seleção. “E os portugueses não têm hábitos de separação em casa e têm de ser incentivados a proceder a essa separação. E perceber, sobretudo em Alpiarça, as vantagens da compostagem”. – disse Paulo Lucas, da direção da associação ambientalista Zero, que apresentou este sistema e esclareceu dúvidas.

Até janeiro de 2020, este processo vai ter ainda muita sensibilização, e muito esclarecimento. A Ecolezíria vai ter, a partir do verão, jovens que vão andar a bater a todas as portas do concelhos para entregar folhetos explicativos e explicar como se vai proceder a recolha do lixo.

E convém aprender mesmo porque os “velhinhos” contentores que tanta tinta já fizeram correr aos alpiarcenses, têm os dias contados. Como se procede então?

Vão ser distribuídos sacos do lixo, com código, para a separação: lixo orgânico (lixo de restos de comida), papel/cartão e plásticos. Como o vidro ainda não será recolhido à porta nesta fase inicial, terão os munícipes de o colocar no ecoponto respetivo. Em dias e nos horários que cada município irá estabelecer, cada um colocará à sua porta (de casa ou do prédio) estes sacos com o lixo devidamente separado para serem recolhidos. Mas o lixo terá de ser separado por cada cidadão. Relativamente ao lixo orgânico, quem tiver um espaço exterior, pode-se candidatar à compostagem, e receberá um equipamento próprio para este processo. Ainda estão a ser pensados equipamento comunitários de compostagem. De lembrar que o produto desta compostagem é usado como fertilizante biológico.

Os cidadãos mais cumpridores irão receber uma pequena recompensa que se traduz num incentivo à sustentabilidade :um “vocher” ( cerca de 30 euros ao ano) que pode ser trocado no comércio local.

A Ecolezíria vai dispor também de uma linha telefónica gratuita para dúvidas que os munícipes possam vir a ter.

O objetivo da empresa é de “obrigar” cada cidadão a ter consciência e a responsabilizar-se pelo lixo que produz em casa, promover a redução de lixo e capacitar cada cidadão para regras de sustentabilidade que permitam prolongar a vida deste planeta. Economicamente este projeto é sustentável porque se enquadra na chamada “economia circular” que assenta na redução, reutilização, recuperação e reciclagem de materiais. Este projeto não tem custos diretos para os municípios, apenas através da Resiurb, e será financiado pela Po Ser com 15% a 20% de participação da Ecolezíria.

Esta sessão contou ainda com a presença do Dionísio Mendes, administrador da Ecolezíria e de Vera Nunes.

De lamentar a fraca participação da população num assunto que é muito do seu interesse.