Comemorações 25 de Abril: Alpiarça lembra Abril para passar testemunho

Foi ao som de Grândola Vila Morena executada pela Banda Filarmónica Alpiarcense 1º de Dezembro que se prestou homenagem à revolução de Abril, no Largo Salgueiro Maia, no passado dia 25 de Abril. Esta cerimónia pública contou com a presença do presidente da Assembleia Municipal e representantes da mesa da Assembleia , presidente da câmara municipal de Alpiarça e vereadores, presidente da Junta de Freguesia e um militar de abril, o Sargento Joaquim da Ponte ( Marinha) que estava na guerra em África à época.
Terra de resistentes, Alpiarça comemora a data da revolução lembrando os seus municipes que foram perseguidos, torturados e feitos presos políticos. Este ano a tónica central dos discursos foi direcionada para os jovens para que lembrem os valores de abril, como proferiu o Sgt. Joaquim da Ponte no seu discurso, e referindo que ” as comemorações não devem ser apenas mais uma repetição”. O representante da Comissão Organizadora, um jovem, fez um discurso sobre a importância da liberdade na conquista das aspirações dos jovens, salientando o emprego como um dos maiores desafios para os jovens de hoje.
Seguiu-se o Almoço Comemorativo do 25 de Abril no Pavilhão da Feira. Este almoço foi uma tradição da autarquia até 1997. Em 98 surgiu a necessidade de se criar uma comissão que assegurasse a realização deste almoço comemorativo, e que serve também como confraternização, sendo composta por democratas com várias opções políticas ou independentes, mantendo-se apenas fixas 2 ou 3 pessoas. Desde 2009 que a autarquia apoia com os cravos. Quem cozinha, prepara e serve a sala são os elementos da comissão e o almoço tem um valor fixo.
Este ano a ementa foi canja de massa, borrego à alpiarcense, arroz doce e o vinho da região de Alpiarça.
Mário Pereira, presidente da autarquia referiu que, neste 44º aniversário da democracia o maior desafio é regressar aos valores de abril. Para o autarca ainda falta cumprir o que está expresso na Constituição de 1976 que preconiza uma democracia avançada não só a nível político, como a nível da cultura, desporto que ainda falta concretizar. Considera que “não é preciso encontrar soluções inovadoras porque elas estão lá, na Constituição, mas que precisam de ser efetivadas.”A propósito dos recentes acontecimentos relativos ao encerramento dos CTT, o autarca refere que “os serviços públicos estão em risco, a partir do momento em que o estado deixa de investir no interior e que são as autarquias, com orçamentos muito reduzidos e depauperados,  que são a única fonte de investimento público  no território nacional. É importante que o Estado não se deixe levar por políticas de privatização e reforce o serviço público porque isto não é só desviar fundos públicos para os bancos e para os grandes interesses. É preciso investir nas pessoas e no desenvolvimento do país.”