Carlos Sousa fala sobre o primeiro lugar dos Benjamins no Campeonato Distrital

Os Benjamins Sub10 fecharam a primeira fase do campeonato no seu grupo com uma vitória por 13 bolas a zero sobre o Fazendense, que lhes garantiu a passagem à fase seguinte como líderes da tabela classificativa. Motivação não lhes falta, com o apoio dos pais e do treinador Carlos Sousa, mas para os adultos o que conta mesmo é a felicidade dos mais pequenos.

Do seu ponto de vista, como correu esta primeira fase do campeonato distrital Sub10?
Do meu ponto de vista, correu bem, encarámos cada jogo com muito respeito por nós, em primeira instância, e depois por todos os outros intervenientes no contexto desportivo, sempre tendo este aspecto como base para trabalhar as outras situações mais concretas, no que respeita ao jogo em si. Os meninos sentem prazer em praticar a atividade, não têm vontade de abandonar, e isso é muito importante para que seja mais fácil promover uma aprendizagem sustentável e saudável da modalidade.

Quais eram as principais dificuldades, à partida, e como conseguiram superá-las?
As dificuldades principais ocorreram no arranque da época, devido à instabilidade que se criou pela saída de alguns elementos importantes da secção de futebol. Quando existem bases e ideias criadas para aplicar nas equipas, e por uma razão ou outra não se conseguem conjugar as necessidades com os compromissos e recursos existentes, só se podem criar dificuldades na concretização dos projetos. O nosso coordenador, Diogo André, foi incansável e não deixou que isto afetasse a nossa equipa diretamente. Tivemos que solicitar uma maior presença dos pais e uma definição clara e concisa de papéis.

Como se motivam 13 pequenos atletas para dar o tudo por tudo nos jogos?
Eles têm uma motivação intrínseca muito grande e são muito competitivos, no bom sentido. A nossa sociedade atual veicula muito o prazer imediato e o bem material onde se obtém satisfa- ção, através de situações muito cómodas e à distância de uma boa lareira, de um tablet potente ou de um simples clique num bom computador. Eles respiram futebol, sonham com a bola, é ela a sua principal amiga. Eles encaram os elementos a cada treino. Com esta idade, é incrível que sejam assim. Em relação ao treinador, penso que pode ter boa influência neles, mas apenas se utilizar uma boa comunicação assertiva e limitar-se a ser ele mesmo, sem querer copiar ninguém.

Acha que esta segunda fase terá mais dificuldades? Quais são os clubes potencialmente mais fortes do grupo?
Nesta fase teremos mais dificuldades, logicamente, pois existem muitas equipas com uma qualidade elevadíssima (de nível 1), mas vemos essa situação num prisma evolutivo positivo porque o que queremos é fazer um bolo equilibrado, com todos os ingredientes bem conjugados, só assim podemos colocar a cereja no topo sem que o bolo se desmorone, ou seja, aprender os processos de forma sustentada, sentir prazer ao realizar cada tarefa, evoluir a cada experiência vivenciada e só depois pensar no resultado que se pode obter. Nós não trabalhamos pensando apenas a curto prazo, trabalhamos, sim, com uma orientação para a tarefa, principalmente, porque acreditamos que vai manter as crianças felizes mais tempo e evitar desistências por falta de motivação. Em relação aos clubes mais fortes do grupo, não gosto muito de individualizar pois todos têm o seu potencial/historial, mas mesmo que o fizesse seria errado da minha parte, pois não tenho elementos suficientes nem pretendo deslocar-me para uma análise que se afaste muito dos limites da minha equipa. Sei que muitos jogos se vão decidir em pormenores, por vezes, no futebol, o que uma ideia nos aponta pode não se verificar na prática.

Vai mexer na equipa para a segunda fase?
Claro que não, não faz sentido, eles gostam muito de treinar, divertem-se muito, abdicam do conforto do lar, após a elevada carga letiva, para voltarem a ser solicitados pelo treinador. Quando sentimos a felicidade na cara deles ou a tristeza de terem de lidar com a frustração, percebemos que só os podemos querer a eles, e que são eles que temos de proteger com todas as nossas armas. A única mudança na equipa prender-se-á pela inscrição de mais um guarda-redes que já trabalha connosco mas que estava lesionado desde a época passada.