Alpiarcenses pelo mundo: A vez de Inês Rodrigues

O bairro “Hill” ou “Will Street”, assim apelidado pelas gentes de Alpiarça, viu Inês Rodrigues nascer, crescer e partir mas vê-la-á regressar quando chegar a hora certa. Foi com 23 anos que partiu para França com a esperança de dar uma vida melhor aos seus filhos. Volvidos 10 anos, Inês almeja regressar.

Como foi crescer em Alpiarça? Destaca algumas memórias desse tempo?
Tive uma infância maravilhosa. Cresci, como chamam, no bairro “Will Street”. Eram tempos diferentes, brincávamos todos na rua, coisa que já não vemos muito, hoje em dia. São tempos que me deixam muitas saudades. Tenho algumas: quando brincávamos no parque, jogávamos ao elástico, saltávamos à corda descalços e até mesmo quando íamos para a barragem para fazer cabanas nas árvores, são coisas inolvidáveis.

Onde está emigrada, de momento?
Neste momento estou em França, na zona de Toulouse, já há cerca de dez anos.

O que a levou a emigrar?
O que me levou a emigrar? Eu penso que foi a mesma razão que para a maior parte dos emigrantes: em busca de uma melhor qualidade de vida para mim e para os meus filhos. Na altura tinha trabalho, mas surgiu esta oportunidade e decidimos arriscar.

Como surgiu essa oportunidade?
Foi através de familiares do meu marido, que já cá estavam.

Sentiu-se bem recebida em França?
Sim, não posso dizer o contrário. De início foi um pouco difícil para me adaptar a uma língua diferente mas sempre tive muito apoio, mesmo da parte dos franceses, e nunca me senti descriminada por ser portuguesa.

Como descreve Toulouse, a sua gastronomia e os seus cidadãos?
Toulouse é uma grande cidade: tem zonas turísticas maravilhosas, o clima aqui é muito incerto, inverno muito frio, verão de calor e trovoadas, é uma coisa a que não me adapto muito bem. Em relação à gastronomia francesa posso dizer que têm bons pratos, mas não há nada que chegue à gastronomia portuguesa. Os franceses são um povo muito acolhedor, encontrei todo o tipo de nacionalidades aqui. Tenho muitos amigos de várias nacionalidades e não há diferenças, somos todos iguais.

Há algum hábito típico francês que a Inês tenha adquirido?
Não posso dizer concretamente que sim. As nossas origens são sempre as nossas origens. À parte falar francês e alguns hábitos alimentares mas de resto sou eu mesma, 100% portuguesa. Eles aqui fazem uma alimentação muito à base de saladas, comida um pouco mais light. Apanhei um pouco essas tendências mas cozinho sempre uns bons pratos portugueses.

Como se está a viver o Euro 2016 aí? Há muita expetativa para esta final? Acha que, de alguma forma, os portugueses emigrados estão a beneficiar com esta competição? Se sim, como?
Estamos a viver este Euro muito orgulhosos da nossa seleção, muito contentes por termos chegado onde chegámos, é muito emocionante ver todos os emigrantes a comemorar pelo seu país, mas agora esta final “Portugal – França” vai ser gira. Espero que sejamos campeões da Europa porque, caso contrário, não há quem cale os franceses!

Anseia poder regressar de vez a Portugal ou França é uma opção para o resto da vida?
Ah não, França é só uma passagem na minha vida. Anseio, sim, um dia regressar a Portugal de vez. Os anos estão a passar, tenho saudades da minha família. É muito duro estar longe, e quantos mais anos passam mais difícil fica, apesar de ir aí quando posso, nunca fica mais fácil. É verdade que em Portugal o nível de desemprego é muito elevado, e o nível de vida não é o mesmo, mas não há nada que chegue ao amor da família.

Na sua experiência e contacto com outros emigrantes, a emigração é para qualquer um?
Sim, penso que sim, desde que surjam oportunidades, mas é difícil quando se está longe dos seus entes queridos.

O que lhe deixa mais saudades em Alpiarça?
Tudo para mim. Alpiarça é uma linda vila cheia de boas recordações, onde nasci e cresci, e quero dizer a toda a minha família e amigos, em especial ao meu pai, “Denis Law”, e à minha mãe, Célia Rodrigues, que os amo muito e que, mesmo longe, estão sempre no meu coração. Um dia voltarei para bem juntinho deles.