Alpiarça e o turismo Duas perspectivas?

Não é necessário estar muito atento, para nos apercebermos que o turismo “mexe” em Alpiarça.
Fazendo apelo ao que temos de melhor – Casa Museu José Relvas, Cavalo do Sorraia, Albufeira dos Patudos, campos e paisagens – e utilizando-os como ancoradouros, surgem iniciativas de divulgação e programas, para um leque cada vez mais alargado de público alvo.

Já não é novidade para ninguém que, pessoas vivendo em artificiais e assépticos ambientes urbanos, procuram cada vez mais, ambientes autênticos, onde possam dar largas a experiências de vida em contacto com a natureza. Os nossos Autarcas que, com frequência, noticiam ter visitado ou participado (?) em certames de turismo, certamente notaram nesses certames, que cada vez é maior a oferta e a procura de destinos da natureza. “Cavalos, vinhos, gastronomia tradicional, aventura na natureza, o convívio e a partilha de tradições” (1), são elementos que estão aqui em Alpiarça, e que empresários dinâmicos, se esforçam por levar até aos mercados de turismo. É este dinamismo que se sente, que se vê, mas que destoa deste ramram a que a Autarquia de Alpiarça teima em nos envolver.

A imagem da bola de neve que se vai avolumando à medida rebola encosta abaixo, é a imagem da Autarquia de Alpiarça, à medida que vai rebolando mês após mês, avolumando a dimensão da sua incompetência, também na área do Turismo. Não há, não se anuncia, uma estratégia.

A Câmara contratou por € 12.195,00 + IVA a THC – Tourism & Hospitality Consult, Lda a “aquisição de serviços de elaboração de plano estratégico de valorização turística para o Município de Alpiarça.”
E nós pagámos.
No final de Fevereiro de 2018 a versão final do relatório de diagnóstico não foi entregue, como contratado, porque a Câmara não pagou a parcela de € 4.065,00.

A perguntas várias sobre para quando a disponibilização da versão final do relatório de diagnóstico, a resposta foi sempre a mesma: em breve. Parece muito mais a resposta de um fornecedor do que a resposta do cliente que é a Câmara de Alpiarça.

O Plano estratégico de valorização turística para o Município de Alpiarça foi, devia ter sido, contratualmente entregue, no passado mês de Julho. Onde está ele? Será que algum dia o iremos ver? Aqueles €12.195,00 + IVA foram mesmo para o fim anunciado? Parece-me legítimo começar a divagar sobre tudo e mais alguma coisa acerca daquele contrato. A falta de transparência leva, naturalmente, a conjecturas também pouco transparentes. Repito, é uma legitimidade que nos assiste.

Aqui chegados, não podemos deixar de constatar que, de um lado, está o dinamismo de empresários e, do outro lado, está a letargia do executivo camarário. Claro que há coerência. É coerente com o não reconhecimento de iniciativas privadas também nesta área. Mas será legitimo hipotecar todo um futuro de Alpiarça a uma ideologia? Ou não será uma questão ideológica, mas tão só o reflexo de uma profunda incompetência para gerir os destinos desta terra? Não posso deixar de repetir o que escrevi noutro local acerca da maioria que governa Alpiarça. O apoio legitimo, repito para que não hajam dúvidas, o apoio legítimo em Alpiarça é “um apoio incondicional da maioria da população aos dirigentes políticos, no nosso caso, aos dirigentes da Autarquia. É uma adesão de forma latente. É um apreço, não ao desempenho, mas sim ás orientações ideológicas/doutrinárias.” Será o que se está mesmo a passar?
O Turismo é demasiado importante para Alpiarça. Não percamos mais uma oportunidade. Ou será que já a perdemos? Sem estratégia definida, provavelmente já a perdemos.

Armindo Batata
Deputado Municipal eleito por Muda Alpiarça (PSD-CDS-MPT)

(1) Citado de uma publicação de AtJuditetour