Água da Barragem continua a descer

Na tarde desta terça-feira, dia 13 de agosto, a Barragem dos Patudos apresentava uma descida acentuada do nível da água.

Sem entrada de água e prevendo-se temperaturas de 35ºC para esta quinta-feira e sexta-feira, o cenário não é promissor.

Desde há anos que a questão da eutrofização da albufeira tem vindo a acentuar-se sem resolução à vista. A falta de oxigenação da água tem sido responsável pela morte de peixes embora, os biólogos sejam unânimes em afirmar que nestas massas de água artificiais, durante picos de calor, a morte dos peixes é incontornável.

Juntamos a este cenário as descargas efetuadas pela ETA na barragem, três vezes por dia, que ocorrem na sequência da limpeza dos filtros.

Sem nunca ter sido efetuada uma limpeza profunda desta albufeira, a autarquia tem-se limitado à intervenção nas margens.

Sem entrada de água, o que possibilitaria alguma margem para a sua renovação, e com um alerta de seca em vigor no país, o problema adensa-se. Durante algum tempo, embora de forma ilícita, foi possível injetar água na barragem através de um furo mas uma queixa no Ministério Público veio pôr fim a esta tábua de salvação.

Em reunião de Assembleia ocorrida em abril deste ano, o presidente da câmara, Mário Pereira, referiu que estava em negociação com a APA – Agência Portuguesa para o Ambiente para conseguir que a máquina que fez a intervenção de limpeza das lamas no rio Tejo. O Ministério com a tutela do ambiente foi remodelado mas o dossier não.

No passado mês de junho, a nossa redação contactou a LPN – Liga para a Proteção da Natureza para tentar saber quais os impactos ambientais provenientes desta degradação da barragem.

Para a LPN, e depois de terem sido avaliados por vários biólogos especialistas em massas de água artificiais os dados e informações que dispúnhamos, o problema da eutrofização da Barragem dos Patudos é essencialmente uma questão de saúde pública e de possível contaminação de águas públicas (superficiais e subterrâneas) devido às “descargas da ETA”. No entanto, refere na resposta que nos endereçou, “é suposto que as descargas da ETA estejam de acordo com a Lei e que não constituam um factor de perigo para a saúde pública” e acrescenta que ” o aspecto mais importante será o de assegurar que as descargas cumprem os requisitos da Lei no que diz respeito à saúde pública”, ou seja, através de um controlo laboratorial da água da barragem de forma periódica.

As Águas do Ribatejo já por várias vezes nos afirmaram que cumprem a legislação. Se cumprem a norma mas a poluição das águas é visível, não seria útil que o legislador fosse alertado para este facto?

Diz ainda a LPN que “é possível que as descargas contribuam para a morte dos peixes, mas isso iria acontecer se não existissem descargas e mantendo-se a situação de não renovação de água na barragem.”

E voltamos à questão da eutrofização. Refere a mesma associação que “a eutrofização de massas de água paradas é um fenómeno natural e inevitável em massas de água paradas sem entrada de água corrente”. Acrescenta ainda que “é normal que os peixes morram por asfixia nos meses mais quentes, particularmente se a quantidade de água diminuir muito e não se verificar entrada de água na barragem”. Explicou o técnico que “é uma situação muito comum sempre que as condições de seca se agravam e sempre que a água aquece, o que acontece muito em albufeiras de rega no Verão”.

Abordamos ainda com a LPN o facto da autarquia não ter orçamento para fazer face à resolução do problema da eutrofização e que estava em negociações com a APA com vista a obter outros apoios, uma vez que não há enquadramento para candidaturas a fundos. A LPN entende “as preocupações das pessoas que usam no seu dia-a-dia a barragem, e há que pesar na balança as duas questões, sendo a água uma recurso escasso entende-se quem diga que pode ser um erro estar a “gastar” água numa barragem” cuja finalidade é apenas o lazer.

Neste sentido, o problema vai ficar “eutrofizado”como a barragem. Sem verbas da autarquia para resolver o problema e sem a APA considerar, entre tantos problemas de recursos hídricos, uma barragem de lazer como assunto prioritário.

Recorde-se que o rio Tejo viu o problema da poluição, no açude de Abrantes, com a intervenção dos ativistas do PRO-Tejo. E neste sentido, a oposição, tanto em reuniões de Câmara como na Assembleia Municipal tem vindo a sugerir a realização de um debate local e nacional em torno da Barragem com fim estratégico de colocar a sustentabilidade na ordem do dia e na agenda política nacional. Uma proposta que pretende chamar a atenção para um dos principais elementos turísticos do concelho que, no plano de atividades, é considerado dinamizador da economia local.