1º Encontro sobre Demência reúne em Alpiarça especialistas e cuidadores de Pessoa com Demência

Organizado pela Fundação José Relvas, decorreu ao longo do dia de ontem, dia 13 de março, o 1ª Encontro de Partilha de Saberes – Cuidados a Prestar na Demência, no Auditório Mário Feliciano – Biblioteca Municipal de Alpiarça.

Marisa Fatana (Diretora Técnica da Fundação José Relvas), Patrícia Paquete (Terapeuta Ocupacional da Humanamente), Alice Rodrigues (Santa Casa da Misericórdia de Pernes), Catarina Alvarez (Psicóloga da Associação Alzheimer de Lisboa), Eduarda Duarte (Assistente Social da Associação Alzheimer do Núcleo de Almeirim) e Joana Florêncio (psicóloga clínica da Associação Alzheimer de Almeirim) levaram a debate alguns temas fundamentais que podem ajudar a melhorar a qualidade de vida da Pessoa com Demência e dos seus cuidadores. Centrar a abordagem da doença na Pessoa com Demência, a opção do Internamento e a intervenção através de programas de sensibilização e acompanhamento de familiares e doentes, como o Café Memória, através de regime de voluntariado, foram questões debatidas durante a manhã e a tarde desta quarta-feira.

No discurso de encerramento, o Presidente da Fundação José Relvas, Joaquim Rosa do Céu, salientou o trabalho dos cuidadores que vai muito além das suas possibilidades, no dia-a-dia, facto este que deve obrigar a uma intervenção mais próxima a nível nacional. Números  que definiu “trágicos” e salientou a sua preocupação face ao problema do isolamento a que muito destas pessoas estão sujeitas face à falta de respostas. “É urgente revolucionarmo-nos e nunca nos conformarmos. O país tem de ter respostas mais democráticas, mais abrangentes e mais interessadas”.

A necessidade de definir estratégias que permitam detectar os vários tipos de demência (a Alzheimer é apenas uma e em Portugal a demência vascular é a mais representativa) com o diagnóstico correto feito por neurologistas e psiquiatras também esteve na ordem do dia. Mariza Fatana, diretora da Fundação José Relvas salientou que muitas vezes aparecem diagnósticos errados porque não são feitos por especialistas na área. Acrescentou ainda que “a ideia de medicar em excesso as Pessoas com Demência resolve o problema” é um  mito. Assim como pensar que só os idosos podem vir a sofrer de demência.

De acordo com o Instituto Nacional de Estatística a população idosa em Portugal era de 2,2 milhões com tendência a chegar aos 2,8 milhões até 2080. O total de população residente em Portugal é de 10 291 027.

Em Portugal, o único estudo epidemiológico a avaliar o declínio cognitivo e a demência na população portuguesa data de 2003 e aponta para uma prevalência de 2.7% da doença em indivíduos com idades compreendidas entre os 55 e os 79 anos. Um estudo recente efetuado pelo Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto mostra que cerca de 4.5% dos indivíduos com mais de 55 anos apresentam demência ou défice cognitivo ligeiro.